Um Hospital amigo do celíaco? - Celia Celiaca
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Um Hospital amigo do celíaco?
Conheça a história Estela Vicente

Quem é celíaco sabe muito bem a dificuldade que existe quando nos referimos aos hospitais. São raros aqueles que estão preparados pra acolher um celíaco. A invisibilidade da doença reflete-se no tratamento que um celíaco recebe quando encontra profissionais que desconhecem os procedimentos mais elementares para tratar celíacos. Quando um profissional faz seu lanche com pão de farinha branca e retoma o trabalho, ao tocar no paciente, a contaminação cruzada acontecerá.

Hoje vamos conhecer a história de Estela Vicente, de Portugal. Graças à sua iniciativa, instituiu-se o primeiro hospital amigo do celíaco em, Portugal.

Até o seu diagnóstico, Estela Vicente viveu um longo e doloroso processo. A DC nunca tinha sido uma doença que algum médico tivesse equacionado como possibilidade. Foi longo, porque desde os primeiros sintomas – que atualmente sabe-se que estão relacionados com a DC – até o seu diagnóstico, passaram-se anos. E foi doloroso, porque Estela chegou ao ponto de não conseguir se alimentar e falar, devido às dores que sentia.

O diagnóstico surgiu por acaso, após o resultado da endoscopia com biópsia, que resultou no diagnóstico sugestivo para DC, pois se verificou a destruição das vilosidades. Posteriormente se confirmou com a análise, os anticorpos específicos da DC.

A ideia de criar o “Centro Hospitalar de Leiria – 1º Hospital Amigo do Doente Celíaco” surgiu após Estela constatar nas redes sociais, a experiência compartilhada por uma celíaca, que estava internada num hospital do norte do país. Seus relatos sobre a alimentação servida e as dificuldades que enfrentava a cada refeição, alertavam Estela sobre necessidade da alimentação apropriada para contemplar os celíacos internados. Ela sempre encarou os hospitais como locais onde os cuidados de saúde estão salvaguardados. Porém, ao longo dos meses verificou vários testemunhos que a deixaram apreensiva quanto à segurança da alimentação para celíacos. Constatou que alguma coisa precisava mudar. E pensou em agir, sensibilizando as pessoas para esta questão, com a finalidade de tornar o mundo um pouco melhor, para os futuros celíacos. Assim fez e teve a sorte imensa de ser apoiada por profissionais de saúde, que se mobilizaram para o projeto.

Estela nos contou que a recetividade para o seu projeto, no hospital, foi favorável.
“O meu agradecimento a todos os que tornaram possível esta realidade, desde o Conselho de Administração do CHL e todos os colaboradores; à presidente da Comissão de Humanização, Dra. Andreia Sousa e toda a sua equipe, bem como à diretora do Serviço de Gastrenterologia, Dra. Helena Vasconcelos e sua equipe, cuja abordagem clínica coube à Dra. Sandra Barbeiro e Dra. Carina Leal. Agradeço o apoio desde o primeiro dia à Dra. Ângela Carvalho, Nutricionista na Unidade de Nutrição e Dietética do CHL, e a todos os convidados que gentilmente participaram no I Encontro de Doença Celíaca do Centro Hospitalar de Leiria, o meu bem-haja à Dra. Ana Pimenta, Hematologista do CHLO/São Francisco Xavier; à APC desde os colaboradores aos Órgãos Sociais; aos criadores do projeto «Celia Celíaca – Glúten Free Lifestyle» – ilustradores Eve Ferretti e Pedro Mota Teixeira; ao grupo Viva Sem Glútene às empresas More Bites e Glutamine, que marcaram presença neste primeiro evento.”

O projeto CHL – 1º Hospital Amigo do Doente Celíaco, foi apresentado no dia 07 de junho de 2018 com o “I Encontro de Doença Celíaca do Centro Hospitalar de Leiria”.
Por meio deste projeto, o Centro Hospitalar de Leiria, pretende ser pioneiro na abordagem da Doença Celíaca, o que constitui por si só, um feito notável. A iniciativa, visa abordar a doença nas várias vertentes, sensibilizando desde a comunidade médica até a sociedade em geral. Por ser iniciativa multidisciplinar, o desenvolvimento se dá a médio/longo prazo. E está se concretizando com a fundamental colaboração de um grupo de pessoas fantástico, que abraçou com sensibilidade e motivação para colaborar. Destaca-se o trabalho das equipes, de diversas especialidades do CHL, que têm sido inexcedíveis para a mudança que se pretende materializar. São médicos, técnicos, enfermeiros e pessoal auxiliar.

Além de todo o envolvimento, foram conseguidos outros objetivos com o projeto, nomeadamente:
Formação aos profissionais da cozinha do CHL: manipulação dos alimentos, confeção e distribuição ao doente celíaco.

Disponibilização de alimentos isentos de glúten, nas máquinas de vending do CHL
Criação do grupo no Facebook: Hospital Amigo do Doente Celíaco – Centro Hospitalar de Leiria.
Em 2019, estão programadas novas ações que darão continuidade ao trabalho iniciado.

Vejam o que foi apresentado no evento:
A abertura coube à presidente da Comissão de Humanização, Dra. Andreia Sousa. O encontro foi direcionado aos profissionais de saúde, sendo o período da tarde para a comunidade celíaca, familiares e amigos.

Para a abordagem clínica, contamos com a presença da Dra. Carina Leal, do serviço de Gastrenterologia do CHL, que apresentou a «DC – As manifestações clínicas e diagnóstico»; em seguida a Dra. Sandra Barbeiro, Gastrenterologista do CHL, abordou o «Seguimento para prevenir complicações futuras», e apresentou o projeto “CHL – 1º Hospital Amigo do Doente Celíaco”.
Ainda no período da manhã, recebemos a Dra. Ana Pimenta, Hematologista do CHLO/São Francisco Xavier, que após a apresentação de um vídeo, explanou sobre o tema «DC – O Desafio da Terapêutica».

No período da tarde, A Dra. Ângela Carvalho, nutricionista do CHL, apresentou as atividades de «Apoio do CHL ao doente celíaco», que se desenvolverão a médio/longo prazo.
Em seguida, os ilustradores Eve Ferretti e Pedro Mota Teixeira, apresentaram o projeto “Celia Celíaca – Gluten Free Lifestyle”, que esclarece a DC de uma forma bem-humorada.
Todas as ações que promovam o conhecimento e a divulgação da Doença Celíaca, são efetivamente louváveis. O CHL está a promover a obtenção de ganhos em saúde e o reforço da qualidade assistencial, cabe agora a toda a comunidade celíaca, familiares e amigos, dar continuidade a este feito, envolvendo-se, participando, dando sugestões para o grupo do Facebook. E, finalmente, o agradecimento às empresas More Bites e Glutamine.

Um sonho?
“Sim, pois sonhar não custa. É por meio do sonho, que o mundo avança!”, afirma Estela.
Na sua opinião, a maior parte dos celíacos, tem o seu porto seguro, na cozinha de casa. No entanto, a DC é uma doença crônica, e como tal, enquanto não houver cura, Estela se pergunta: “O que acontece aos celíacos que vão envelhecendo e que por algum motivo têm de deixar suas casas? Ou não têm familiares que lhes possam preparar a alimentação isenta de glúten?

Estela gostaria que fosse criada uma instituição de apoio aos celíacos. Uma instituição que pudesse distribuir alimentação a Escolas, ERPI (Lares), Centros de Dia e a quem quisesse usufruir de uma refeição isenta de glúten. Uma instituição, que fizesse o acompanhamento de todo o circuito alimentar, por forma a evitar a contaminação cruzada. Para ela, o desafio diário da DC não é fazer uma alimentação SG, mas o cuidado com a contaminação cruzada, e conseguir informar a sociedade desta realidade.

Estela pretende estender o projeto a mais lugares além de hospitais, pois crê que todas as ações que permitam uma melhoria da qualidade de vida dos doentes celíacos, são louváveis. Para tanto organizou formações de 35h para Escolas e Hospitais.

Registramos os nossos Parabéns à força e dinamismo de Estela Vicente.
São iniciativas comprometidas como estas que mudam o mundo. A mudança começa internamente e resulta nessa força empreendida para repetidamente conscientizar a comunidade de profissionais da saúde, a comunidade escolar e os familiares dos DC.

Para quem quiser mais informações sobre os cursos que Estela ministra é só escrever para o mail [email protected]!

Entre em contato com a

Célia Celíaca

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