Um grupo de celíacos adolescentes? - Celia Celiaca
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Um grupo de celíacos adolescentes?
Conheça a história da Bia!

Parecia mais uma consulta de rotina, porém a A Dra Danielle, acostumada a atender celíacos, acolheu o desabafo da jovem paciente. Beatriz Oliveira Lapa tocou profundamente a sua médica: “Tudo tem sido tão complicado, não tenho onde sair. Tem sido difícil”.

A Dra. Danielle foi para casa com essa ideia ainda pulsando e ligou para a Ana
Claudia Cendofanti, presidente da Acelpar. Conversaram e decidiram criar um grupo
de WhatsApp.

Quando adicionada, Bia e outros jovens dinamizaram o grupo no WhatsApp, onde logo compartilharam da mesma angustia e um só desejo: confraternizar sem glúten, afinal, todos da turma querem sair!
A Dra. Danielle, que tem um olhar mais abrangente, além da parte clínica, relatou: “A adolescência é um período de muitas dúvidas e questionamentos e as doenças crônicas podem ser um complicador, nessa fase. A ideia de indestrutibilidade e a necessidade de pertencimento a um grupo, podem levar a negação da doença e
consequentemente, estimular as transgressões. Ao atendermos um adolescente temos que ter em mente as necessidades próprias da fase. Por isso é tão importante o vínculo com o paciente, para compreendermos quais os seus medos, angústias e dificuldades.
Quando conversei com a Beatriz, percebi o quanto ela estava em um período ótimo em relação aos resultados de exames, autonomia e responsabilidade com a dieta isenta de glúten. Porém me incomodava muito o seu isolamento social. Comentei novamente com ela que precisava sair, que a DC não é um drama e sim uma circunstância na vida e não pode ser um impeditivo para a diversão. E ao perguntar-lhe o que ela poderia fazer para melhorar a sua qualidade de vida, Bia me pediu para ajudá-la. Sem pensar muito concordei e disse que pensaria em algo. Confesso que só parei para pensar depois que ela saiu da consulta. Certamente essa dificuldade não é exclusiva da Bia. Outros enfrentam o mesmo problema. O que fazer? Como ajudá-los, estimulando a convivência com outros adolescentes.”

O grupo que iniciou pequeno, hoje conta com 45 jovens interagindo, trocando experiências e buscando as soluções, em conjunto.

“Fico muito feliz em vê-los felizes e confiantes, estabelecendo conexões além da família, de forma madura. O fortalecimento da autoestima permite enfrentar as dificuldades sem ceder a pressão do grupo”, diz a Dra. Danielle.

Conversamos com a Bia e ela nos contou que desde criança tinha muitos problemas de saúde, entre eles a baixa estatura e refluxo, mas nunca teve os sintomas clássicos da Doença Celíaca. Em 2015, ela foi a um gastroenterologista porque tinha refluxo.
“Ele pediu para fazer endoscopia que mostrou resultado: padrão celíaco. Mas ele não quis me diagnosticar como celíaca, apenas. Então fiz o tratamento para refluxo. Até que em 2017 a minha condição piorou. Eu sentia muita dor de estômago e consultei outro gastro, fiz uma nova endoscopia e iniciei uma dieta. Eu estava muito triste e parecia que nada fazia mais sentido. Eu não sabia sequer a quantidade de coisas que podem substituir o glúten. Fui passando de médico em médico e acabei descobrindo a Intolerância à lactose. Eu estava bem mal. Um dia a minha mãe estava conversando com a Ana Claudia, que recomendou a Dra. Danielle. Foi a partir daí que eu comecei a aceitar melhor a doença e a me socializar mais, com o grupo da Acelpar Teens.”
Bia nos contou também que se socializar é a parte mais difícil. Que no começo o celíaco só quer negar a sua situação. Ela não queria falar para ninguém e preferia nem sair de casa. Comentou isso com a Dr. Danielle e contou que não conhecia nenhum celíaco da sua faixa etária. E nesta mesma tarde a Dra. Danielle e a Ana Claudia criaram o grupo no WhatsApp: Acelpar Teens, que iniciou com três pessoas, foi aumentando e agora conta com 45.

“Nos encontramos pela primeira vez na Feira de Celíacos, em maio deste ano. Foi muito bom conhecer pessoas da minha idade, que me entendem.” Relata Bia.
A criação do grupo foi o primeiro passo e a partir de então, cinco pessoas combinaram um boliche e se divertiram muito. Assim os laços dentro do grupo estão se fortalecendo.

“Há pessoas que já são mais chegadas e nos encontramos mais vezes. Agora estamos programando para ver quando que vamos nos encontrar novamente. Este grupo me deu a oportunidade de fazer novos amigos e voltar a ter vontade de sair com eles!
É muito bom ter uma médica como a Dra. Danielle que realmente se importa com você, dentro e fora do consultório! Ela é uma pessoa muito especial para mim, ela me ajudou a ter a minha vida social de volta!” Bia revela, com alegria.
Alguns adolescentes procuraram Bia, que achou muito legal poder ajudá-los num momento tão difícil, que é o da negação e também do esclarecimento da doença celíaca. E agiu com essa presteza porque teve o suporte da Acelpar, que foi essencial na sua própria conscientização. Hoje Bia tem grande consideração pela associação, como se tem por uma família. Em sua casa não entra mais nada com glúten e a sua família a apoia e a ajuda muito com a dieta para ela não se sentir diferente: “É bem difícil explicar para as pessoas o quão sério é a Doença celíaca. Muitos acham que é frescura e que um pouquinho não faz mal. A contaminação cruzada é a mais difícil de explicar. Mas os meus amigos mais próximos entendem a minha situação. Tento combinar os encontros na minha casa, ou se não, levo uma marmita ou vamos em algum lugar que tenha opções sem glúten.” Conta- nos Bia.
É importante saber que para quem teve um diagnóstico recente é normal chorar. “Eu também chorei e muitoo!!” – confessa Bia.

Nós aqui do Portal desejamos vida longa ao grupo e registramos o nosso carinho e admiração pela sensibilidade e humanidade da Dra. Danielle, para com os pacientes. A socialização faz parte do dia a dia de todos e este grupo comprova que é possível tornar a vida normal sem glúten, quando há aceitação, carinho e coragem.

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Célia Celíaca

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