Conheça Tauany Cândido - Celia Celiaca
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Conheça Tauany Cândido
Uma corredora que superou muitas dificuldades no seu pós diagnóstico!

Correr é definição de liberdade. A corrida para mim é assim, um simples ato encaixado na minha rotina, que espero ansiosamente para chegar. Um lugar onde não existem padrões, segmentações políticas, sociais e raciais. Basta calçar um tênis e se deleitar nas mais belas paisagens, pelas ruas e avenidas cinzentas da cidade, desafiando limites a cada milha conquistada.
Muito prazer, sou a Tauany Cândido, nascida e criada na Zona Leste de São Paulo, pós-graduada em Gestão em Marketing pela FAAP, Coordenadora de comunicação de uma agência de comunicação, que nas horas vagas se desafia, o tempo todo, com as atividades “mais simples”. Bom… pelo menos ao meu ver. Sou aquela que acorda em um domingo ensolarado e decide pular de paraquedas; que realiza um intercâmbio na Nova Zelândia, só porque viu que lá – até então – havia o Bunge Jump mais alto do Mundo e colocou como meta pulá-lo até o fim do curso, concluído com sucesso; a aspirante lutadora de Muay Thai, cuja carreira durou até o deslocamento de uma das costelas. E olha que neste quesito me saí muito bem! Com três e meia Graduações e a costela? Foi um mero detalhe, hahaha!
Minha grande paixão sempre foi pela Corrida e permanece até hoje. Embora eu carregue um pequeno adendo. Deste ponto para frente a vida mudou e o “Corre” não é mais tão livre assim! Não mais para mim. Em 11.08.2017, fui diagnosticada com a uma doença estranha e desconhecida até então: sim, sou C-E-L-Í-A-C-A!
Foram 26 anos em que eu podia tudo e em uma velocidade (Pace – termo utilizado por corredores para definir passo por minuto) de 000,001 segundo. Ao virar a rua me deparei com um obstáculo que mudou tudo. Então descobri que os sintomas que eu tinha eram sinais que passavam desapercebidos e muitas das vezes foram confundidos.
Nós corredores – e agora todos aqueles que não correm irão saber – em um momento da vida “atlética”, passamos pelos processos de ajustes na alimentação e até que isso aconteça, nosso organismo tem algumas instabilidades, ao ponto de você querer correr ainda mais rápido para fazer… o famoso número ✌ hahaha!
Passei uns bons 5 meses assim: corrida + troninho + dores musculares + barriga estufada. E devido a esta pequena notável, passei a usar a hashtags: #barrigudinhosrun, em todos os meus posts de corrida.

Ser a princesa do troninho virou um hábito, porém, com o tempo este cargo real me proporcionou tristes regalias. A primeira delas foi a dor abdominal que parecia aumentar paralelamente, a cada quilômetro conquistado. Os desconfortos só pioravam e minha rotina era trabalhar + treinar + pós-graduação + pegar metrô. E muitas das vezes interrompi o percurso, pois, entre um metrô e outro, me entupia de salgados, pães e bolachas fazendo um combo de integrais, arrematados com pasta de amendoim, que até então, eram considerados por mim “leves e fitness”. Ah, a sonhada vida fitness, na qual nunca usei as famosas e contemporâneas frases: “Esmaga que Cresce” ou “Bumbum na Nuca”. A vida real não me contemplou com a dádiva de ter um porte assim. As circunstâncias me levaram a ter dores surreais e a derradeira ocorreu na semana das festividades natalinas, das confraternizações na empresa, faculdade e amigos secretos. De nenhum deles participei. Num final de tarde saí do trabalho desnorteada, direto para o hospital. Fiz vários exames, mas nada foi encontrado. De janeiro até meados de julho de 2017, eu vivia na rotina de hospitais e trabalho e me esforçava nos treinos, até que endocrinologista e gastroenterologista Marcos Lima, após uma bateria de exames de sangue anticorpo antitransglutaminase tecidular (AAT) e do anticorpo antiendomísio (AAE), me diagnosticou como celíaca.
Foi aí que aquela alegria de correr desapareceu e de quebra levou “alguns amigos”,
festas, comidas variáveis e guloseimas inexplicáveis. Eu fazia cada mistura 😋! Ah, e o ódio pela doença crescia também.
Logo vi que a condição de celíaco vem junto com a solidão social. Devido a isto, não contava para mais ninguém e me permitia comer muitas coisas escondido.
As dores se alastravam pelo corpo, a pele e as manchas apareciam. Paralelamente, eu estava inserida em um novo ciclo de corridas, pois as provas de 42km já não faziam sentido para mim. Eu me desafiava a participar de Ultramaratonas com percursos de 70km e 75km e não levava em consideração mais um obstáculo pela frente. Durante as provas carregava meu próprio alimento, o que aumentava o peso da mochila e prejudicava o meu pace. Era necessário para minha nova realidade, pois os lanches fornecidos pelas organizações de corrida não eram compatíveis com a minha condição. Os organizadores diziam: temos maçã!
Em abril de 2018, eu estava finalizando os detalhes da minha viagem para a ultra da Patagônia buscava na internet informações sobre a prova, quando no meio destes clicks apareceu um desenho engraçado onde dizia: “Aí povo? Neste carnaval cuidado com o beijo do príncipe… se for com glúten é sapo! Não beije!”
Dei muitas risadas e do nada compartilhei com amigos próximos e depois com conhecidos. Logo tudo o que era publicado se compartilhava e assim um pequeno grupo começou a me olhar com outros olhos. Nessa mesma semana busquei várias imagens da Celinha e baixei o manual.
Celinha se tornou um membro oficial para mim e em casa, esclareceu sobre diversos temas, como a contaminação cruzada. Redescobrimos a liberdade de comer em paz e voltarmos, cada um, com nossa rotina alimentar. Meu modo de agir foi se moldando, ou melhor, voltei a ser quem eu era e o que sou, enfim Feliz, Simples e Leve.

Cada publicação tornou-se um efeito dominó em minha vida e na de todos ao meu redor. Já visitava amigos e tias e lá havia algo separado para mim. Comia fora e mostrava as tirinhas para alguns garçons e de um jeito engraçado e leve meus pedidos vinham com maior cuidado. Meus sobrinhos começaram a entender porque eu não comia mais aquela pizza perto de todos e comentavam: Porque vira rainha igual à Celinha.

Imagens compartilhadas na época da descoberta:

Na corrida da Patagônia, fui com a cara, a coragem e o Manual da Celinha printado no celular. Decidi ir como corredora “normal” e fiz meu percurso com uma mochila leve, porém, com a certeza de que iria realizar um ótimo tempo. Nas paradas comia e quando tinha dúvida mostrava algumas “historietas’’ ilustrativas.
Voltando ao Brasil, finalizando 2018, decidi agir diferente e me empenhar em gritar para os patrocinadores das corridas que os Celíacos também correm. Iniciei com um grupo de corrida PRJCTRUN, que logo se adaptou a mim e à Celinha.

Alguns e-mails foram enviados para as organizações, mas nenhum foi respondido. Quando eu participava das provas e perguntava para os coordenadores dos staffs ouvia a famosa frase: TEMOS MAÇÃ.
O desanimo ponderou neste aspecto: como isso poderia mudar? Porém eu não corria atrás para saber e não me interessava em procurar nada sobre as associações dos celíacos. Apenas lia sobre o assunto nas mídias da Eve Ferretti blog e ficava grata pelo fato dela ter me ajudado nesta jornada, por ter contribuído comigo e com todos os que acessam o seu blog.
De uma forma leve e engraçada, Eve, você me mostrou um outro lado da doença que eu cultivava com tristeza e vitimismo. EVE/CELINHA OBRIGADA por me abrir os olhos, OBRIGADA por me socializar novamente, OBRIGADA por me fazer perceber que as lembranças do passado estão guardadas com muito carinho e que agora a minha condição é esta!
Ah e este relato só ocorreu, devido a esta imagem aqui:

E também

Publicados no Insta do @maio_verde

EVE/CELINHA me ajudou em mais uma etapa e a vontade de conhecê-la para agradecer pessoalmente, me fez quebrar os preconceitos e motivar-me a participar do II Encontro Anual De Celíacos, onde pude mostrar uma parcela da minha gratidão. A reciprocidade da Eve e do Pedro, foi surreal! E de quebra, conheci outros profissionais maravilhosos.
Após este encontro, corri no meu Instagram e contei a todos que sou celíaca! E mandei vários Whats com o PDF do manual da Celinha atualizado. Me cadastrei Fenacelbra e reenviei alguns e-mails para as Organizações de Corridas de Rua. As respostas ainda não chegaram, mas tenho conhecimento de profissionais que podem fazer isto por nós! #celiacotbcorre #barrigudinhosrun

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Célia Celíaca

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