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ACEITAÇÃO, BULLYNG NAS ESCOLAS E CONVÍVIO SOCIAL.
Com Dra. Dinadeia Brandalizze

A sociedade tem se deparado diariamente com o diagnóstico da doença celíaca e não é nada fácil. Barreiras como a dificuldade de autoaceitação, da carência de aceitação familiar e de amigos, tornam o enfrentamento do diagnóstico mais difícil. Aprender tudo o que é preciso a respeito da doença até conseguir ficar em paz com o que a vida apresenta, mesmo se a pessoa não gostar e, especialmente, se não puder fazer nada para mudar, é um desafio enorme.

Para nos esclarecer um pouco mais a respeito deste assunto, trouxemos para uma conversa a psicóloga Dinadéia Brandalizze.

1 – Que reação tem a pessoa ao receber o diagnóstico de doença celíaca?

Muito interessante essa pergunta, porque, em termos psicológicos, as reações são as mais diversas. A reação vai aparecer de acordo com a personalidade, com o histórico de vida da pessoa, com sua capacidade de aceitação e enfrentamento. Acompanho em meu consultório, pessoas que inicialmente se revoltam, se deprimem achando que a vida sem glúten é triste e sofrida, e outras que ficam felizes ao descobrirem a causa de tantos males que as aflige há tempos e que a cura está nas próprias atitudes, escolhas e decisões.

Como psicóloga – e celíaca – afirmo que sem glúten a vida se apresenta com mais liberdade, saúde, paz de corpo e mente. Tirando o glúten, é possível se apoderar da própria vida e isso é muito bonito. Depende de cada um, como tudo nessa vida: cada escolha, uma consequência.

2 – Como superar o diagnóstico?

Por meio da autoeficácia. De acordo com o psicólogo social, de origem canadense, Albert Bandura, autoeficácia é a crença que um indivíduo tem sobre sua capacidade de realizar com sucesso uma determinada atividade, como por exemplo, retirar o glúten da alimentação. A CRENÇA de que se é capaz, determina seus sentimentos, pensamentos, motivações, comportamentos e desempenho, levando-o a retirar o glúten, sem vitimização.

Segundo Bandura, a autoeficácia é a capacidade de produzir níveis de desempenho que influenciam os eventos que afetam nossas vidas a ponto de considerarmos, neste caso, que o glúten é desnecessário, portanto não há porque sofrer ao eliminá-lo da dieta.

Aqueles que duvidam de suas capacidades ficam intimidados diante de tarefas e as enfrentam com dificuldade, verbalizando: Odeio ser celíaco! Por que comigo? Logo eu?

Pessoas com elevada confiança em sua capacidade abordam qualquer tarefa, mesmo difícil, como desafio a ser superado ao invés de uma ameaça a ser evitadas. PORTANTO, ¨se você se acha capaz, você está certo!  Mas se você acha que não é capaz, você está certo também!”

A psicoterapia é um excelente recurso para ressignificar os pensamentos sabotadores, negativos e limitantes. Diminuindo o sofrimento, aumentando o enfrentamento e a autoestima.

3 – Qual a importância do apoio familiar e de amigos?

Para o celíaco a importância do apoio familiar e de amigos é tão necessária quanto a retirada do glúten na alimentação. Acolhimento, compreensão, adaptação culinária, informação e amor, muito amor. Com esses elementos não só a doença celíaca pode ser aceita e superada, como qualquer outra coisa na vida.

 

4 – Como convencer os familiares a aceitarem a cortar o glúten?

Com muita informação e paciência. De acordo com a neurociência, uma das formas de aprendizado do nosso cérebro é pela repetição. Aprendemos por repetição, de modo que é necessário explicar aos familiares, o quão perigoso é para o celíaco um ambiente com glúten. E argumentar inúmeras vezes, até que seja compreendido.

Celíacos precisam entender que as pessoas levam um tempo para processar e instalar mudanças de hábito na família. Antes de acontecer, isso pode causar tristeza, discussões ou isolamento.

Os familiares podem aceitar a retirada do glúten como um gesto de racionalidade, solidariedade e principalmente de amor. Com amor, não se ouvirão mais frases como: Isso é frescura; coma só um pedacinho, não vai fazer mal; você não vai comer nada?

É importante que o celíaco faça um esforço para não se deixar afetar e saiba que muitos compreenderão e irão colaborar.

5 – Como frequentar ambientes sociais, festas, casamentos, aniversário sem se contaminar?

Em primeiro lugar, o celíaco sempre deve se socializar. A socialização é importantíssima para o ser humano. Isolar-se é caminho para a depressão, crises de ansiedade, autoestima baixa, entre outros males. Receber um convite, é um prazer, é sinal de consideração. E existem várias fases nesse convite: o convidado irá se produzir, para encontrar pessoas queridas, dançar e comer. Existem duas opções para este quesito: ou come em casa, antes de sair, ou prepara uma marmita linda e maravilhosa e leva na festa, sem correr o menor risco de contaminação.

 

6 – Afinal qual o papel da comida nas nossas vidas?

A comida vai muito além de nos alimentar, de saciar nossa fome biológica. Tem o papel biopsicossocial, ou seja, de transmissão de afeto, como o da vovó que faz o bolo preferido do neto; o leite materno cheio de carinho; a caixa de bombom dada pela pessoa amada e por aí vai. A comida apresenta um importante significado social: por meio de brindes em eventos, comemorações de datas importantes, como o natal, aniversários, reunião de amigos e tantos outros. Cabe ao celíaco ressignificar a comida, fazendo tudo isso sem glúten. Afinal carinho não tem glúten, amor não tem glúten, abraço não tem glúten. Amor próprio também não!

 

7 – Falando sobre crianças mais especificamente, o que acontece quando uma criança celíaca sofre bullying na escola?

Segundo a psiquiatra e escritora Ana B. Barbosa Silva, bullying  são falsas brincadeiras que camuflam sentimentos pouco nobres de intolerância, preconceito, ignorância e maldade consciente e perversidade. Brincadeiras normais são aquelas onde todos se divertem. Quando apenas alguns se divertem à custa de outros que sofrem, isso é bullying.

Tal intimidação é carregada de preconceitos, seja racial, social, cultural, físico-corporal e também pode ser alimentar. Cabe aos pais e à escola combaterem o bullying. Indicação psicoterápica se faz necessário, tanto para a vítima, quanto para o agressor.

 

8 – Como os pais podem saber se seu filho está sofrendo bullying?

Por meio de alterações de comportamento da criança, que pode deixar de querer ir para a escola, apresentar perda de apetite, insônia, irritabilidade, choro constante até traços de depressão ou apatia. Sofrer com essa intolerância é traumático tanto na infância como na adolescência ou na idade adulta.

Quanto à criança celíaca, além dos sintomas citados, também pode causar transtornos alimentares como bulimia, anorexia, síndrome alimentar seletiva e compulsão alimentar.

Indico a leitura do livro: Bullying- Mentes perigosas nas escolas, da autora Ana Beatriz Barbosa Silva.

9 – Se os pais tentaram falar várias vezes com a escola sobre os cuidados que se deve ter com a criança celíaca para não ser contaminada, e nada mudou, qual conselho daria? Continuar insistindo ou tentar uma nova escola?

A escola não só é um lugar de aprendizado cognitivo, também é onde ocorre a socialização da criança, portanto um lugar de acolhimento. Se a criança não é acolhida, compreendida e respeitada na condição de celíaca, como em qualquer outra condição, concluo que os pais devem buscar outra escola.

10 – Que conselhos daria para os pais e mães que estão passando pela situação de falta de empatia?

Que acolham seus filhos, que os preparem para a vida, para se sentirem crianças normais, que são. Que os pais preparem seus filhos para serem fortes, determinados, resolutos.

A VIDA NOS OFERECE VÁRIOS DESAFIOS AO LONGO DELA E PRECISAMOS APRENDER A ENFRENTÁ-LOS. SER CELÍACO É APENAS MAIS UM!

 

11– Que conselhos daria para os pais e mães que estão passando pela situação de falta de empatia na escola?

As escolas já têm suas normas e regras estabelecidas, para elas fazerem mudanças, requer tempo, informação e muito trabalho, além de boa vontade logicamente.

Eu sugiro que as associações de celíacos e de pais de celíacos peçam autorização à escola, para levar profissionais, para darem uma pequena palestra para professores e alunos esclarecendo sobre a doença celíaca. Torno a falar, ”a informação é fundamental” ocorrer mudanças. Podem ser profissionais das seguintes áreas: gastro, nutrição e psicologia.

É importante que os pais acolham seus filhos, que os preparem para a vida, para se sentirem crianças normais, que são. Que os pais preparem seus filhos para serem fortes, determinados, resolutos.

A VIDA NOS OFERECE VÁRIOS DESAFIOS AO LONGO DELA E PRECISAMOS APRENDER A ENFRENTÁ-LOS. SER CELÍACO É APENAS MAIS UM!

12 – Por que essa falta de empatia é tão recorrente seja para adultos ou crianças?

Porque a doença celíaca ainda é pouco conhecida, no que diz respeito a seus sintomas e gravidade. Por isso se faz necessário difundir todas as informações a respeito. O ser humano tende a ter preconceito sobre as coisas que desconhece, sobre o novo, sobre a minoria. Se fizermos um trabalho informativo divulgando o que é a doença celíaca, a tendência é a aceitação e compreensão ir se instalando cada vez mais.

13 – Poderia dar um conselho psicológico para se adaptar a nova rotina alimentar?

Sim, uma dica de ouro: para adaptação cerebral do seu paladar, nunca compare o paladar do alimento com glúten com o alimento sem glúten. Compare sempre o sem glúten com sem glúten. Descubra o seu paladar. Escolha duas ou três marcas de pão sem glúten e veja qual lhe agrada mais, escolha duas ou três marcas de macarrão e veja qual lhe agrada mais e assim consecutivamente.

Boa sorte seja feliz.

Dra. Dinadeia Brandalizze é psicoterapeuta clínica, com 27 anos de experiência em atendimento para adolescentes e adultos.

Atua na área Comportamental-cognitiva pensar-sentir-agir, reeducando pensamentos e sentimentos para que as atitudes sejam produtivas, assertivas e prazerosas, refletindo diretamente na melhora da autoestima.

Atende Celíacos, com dificuldade de aceitação da doença celíaca ou com dificuldade de socialização, muitas vezes acometidos de depressão. Trata transtorno de ansiedade, transtornos alimentares, crises de autoestima.

A partir do querer e agir, tudo é passível de se modificar. Agende sua consulta.

Atendimento por Skype somente para pacientes que residem fora de Curitiba

Para saber onde ela atende é só acessar o app da Celia!

Revisão do texto: Marilza Conçeição

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Célia Celíaca

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