A Doença Celíaca pode interferir na saúde reprodutora feminina? - Celia Celiaca
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A Doença Celíaca pode interferir na saúde reprodutora feminina?
Saiba mais com Dra. Juliana Olavo

Doença Celíaca e Saúde da Mulher

A Doença Celíaca pode interferir na saúde reprodutora feminina?

Sobre esse assunto importante, conversamos com a Dra. Juliana Olavo que nos revelou resultados de estudos que encontraram, sim, uma relação da doença celíaca com alterações importantes, como: menarca tardia (primeira menstruação mais tarde) e menopausa precoce, o que potencialmente reduz o período reprodutivo. E foram ainda observados distúrbios menstruais, como amenorreia ou ausência de menstruação.

A Doença Celíaca pode afetar a fertilidade?
Este é o maior medo, diz a Dra. Juliana. E os estudos relacionaram a Doença Celíaca ao aumento da taxa de infertilidade, considerada uma das causas de infertilidade não explicada. Mas evidenciaram que a taxa de infertilidade é semelhante à da população em geral, quando a doença está controlada. Ou seja: ter a doença não afeta a fertilidade.
A Doença Celíaca afeta potencialmente a fertilidade, quando a mulher tem a doença ativa, não controlada ou a doença ativa, não diagnosticada.
E a mesma relação foi encontrada para o risco de abortamento, em doença não controlada. Porém, ao se adotar a dieta adequada, a taxa de aborto é a mesma do que a população em geral.

Os estudos mostram algo com respeito à gestação, Dra. Juliana?
Sim, na doença ativa há aumento da taxa de prematuridade, restrição de crescimento intrauterino e baixo peso ao nascer.

E por que isso acontece?
Não é apenas a desnutrição e a deficiência nutricional, que podem causar esses desfechos desfavoráveis. Os estudos mostraram que os anticorpos presentes, da doença, afetam a função placentária e a função imunológica, como também a capacidade de invasão e adesão no útero. Isso explicaria a ocorrência de maior taxa de abortamento e a restrição de crescimento do feto. Ou seja, se não há adequada invasão no útero, do produto da concepção, pode ocorrer um aborto.
E, caso não tenha ocorrido, se a placenta não está funcionando adequadamente, o bebê tem o desenvolvimento afetado, com restrição de crescimento, além do aumento do risco de nascimento prematuro.

A Dra. Juliana ressaltou que os estudos que avaliaram a relação da doença celíaca com a saúde reprodutiva feminina, foram realizados por um número pequeno de mulheres. E que são necessários mais estudos para avaliar todas as associações de forma assertiva. Porém os resultados do que foi observado, mostram a relação entre os desfechos ruins e a doença ativa ou não diagnosticada. E essa é uma razão importante para se excluir o glúten da dieta, para levar a termo uma gestação saudável.

Fontes:
Buttler et al. Coeliac disease and pregnancy outcomes. Obstet Med. 2011 Sep; 4(3): 95–98.

Tersigni et al. Celiac disease and reproductive disorders: meta-analysis of epidemiologic associations and potential pathogenic mechanisms Human Reproduction Update, Vol.20, No.4 pp. 582–593, 2014

Castano et al. Systematic Review and Meta-Analysis of Prevalence of Coeliac Disease in Women with Infertility. Nutrients. 2019 Aug; 11(8): 1950.

Taufner Celiac Disease and its Association with Infertility and Obstetric Complications in Women. J Gynecol Women’s Health 2(4): JGWH.MS.ID.555593 (2017)

Lasa el al. Risk of infertility in patients with celiac disease: a meta-analysis of observational studies. Arq. Gastroenterol. vol.51 no.2 São Paulo Apr./June 2014

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